O papel no dia-a-dia dos japoneses reveste-se de um significado muito especial.
A tradição permeia seu manuseio cuja técnica se transformou numa arte das mais criativas: mesmo nas mais simples embalagens ou nas impressionantes esculturas nascidas através de simples dobraduras.

EMBALAGEM
Embalar, empacotar ou envolver caixas, latas, garrafas e outros objetos com papel, pano ou outro material é uma arte que visa, não apenas, proteger, mas acima de tudo, embelezar e valorizar o conteúdo.
No Japão, a arte de embalar, designada pelo termo inglês Wrapping é muito valorizada, pois a preocupação com a apresentação visual é quase maior do que o objeto em si.
A arte de embalar, como toda arte, possibilita a quem pratica desenvolver sua criatividade, personalizando a apresentação final do produto.
 

KIRIÊ
Técnica antiga que consiste em recortar o papel usando lâmina. Vazando determinadas partes do papel e conservando outras, criam-se figuras ou contornos que podem representar ideogramas, padrões decorativos ou até ilustrações de livros. Ou simples pedaços de papel poderá se transformar numa delicada renda.

ORIGAMI
A arte de dobrar o papel, origami, conhecida no Japão há séculos, tem conquistado o público em geral nestas últimas décadas. Isto se deve ao fascínio proporcionado pela transformação de um simples pedaço de papel, por meio de dobras, nas mais variadas figuras, tais como animais, flores, objetos utilitários, figuras geométricas e decorativas. O origami deixou de ser uma arte exclusiva dos japoneses para se tornar universal. Cada vez mais, figuras novas de dobraduras têm surgido, muitos livros em diferentes línguas publicados e pessoas têm divulgado o origami através de cursos, encontros e exposições. No Ocidente principalmente, tem sido utilizado como rico auxiliar educativo e também para fins terapêuticos. Todas as pessoas, indistintamente, podem aprender o origami e, sentir na prática os benefícios que esta atividade proporciona. É só começar.

A ave Tsuru (grou ou cegonha), simboliza saúde, fortuna, boa sorte e felicidade (além de ser considerada como ave-símbolo do Origami).
A sua forma básica serve de base para outras figuras de papel, desde animais até plantas. Antigamente costumava-se pendurar estas aves de papel, no teto, para distrair as crianças, especialmente os bebês. Eram oferecidas também nos templos e altares, juntamente com as orações, para pedir proteção. Acredita-se que originalmente elas tinham apenas a função decorativa, e só mais tarde foram associadas às orações.
Quando uma pessoa se encontra hospitalizada, oferece-se mil origami de "tsuru" para que ela se restabeleça o quanto antes. Ao dobrar cada figura, a pessoa deposita nela toda a fé e esperança na recuperação do doente.
No Japão, todos os anos - no dia 6 de agosto - são depositados inúmeros conjuntos de mil tsurus (vindos de todas as partes do Japão e do mundo) nos mausoléus e monumentos a Paz feitos em homenagem aos que morreram na tragédia atômica de Hiroshiima, com a intenção de que isso jamais venha a se repetir.
Para a confecção destas mil aves é preciso união, esforço e fé de muitas pessoas formando-se assim uma corrente de pensamento positivo, estes conjutos de tsurus, são feitos por escolas, associações, entidades, enfim, por um grupo de pessoas que se uniram para lutar por uma causa nobre a PAZ !

Depois da destruição de Hiroshima em 1945, muitas doenças surgiram entre os sobreviventes. Uma das vítimas Sadako Sassaki, com dois anos no dia da explosão, começou a sentir os efeitos da Bomba Atômica aos 12 anos; seu diagnóstico: Leucemia.
Quando Sadako estava no hospital, um amigo trouxe-lhe alguns papéis coloridos e dobrou um pássaro (TSURU). Disse que esse pássaro é sagrado no Japão, vive mil anos e tem o poder de conceder desejos.
Se uma pessoa dobrar mil Tsurus e fizer seu pedido a cada um deles, seu pedido será atendido. Sadako, começou então a dobrar Tsurus e pedir para sarar, porém sua enfermidade se agravava a cada dia. Sadako então desejou pedir para a Paz Mundial. Sadako dobrou 964 Tsurus até 25/10/1955, quando morreu.
Seus amigos dobraram os Tsurus restantes a tempo para seu enterro. Mas eles queriam mais, desejaram pedir pôr todas as crianças que estavam morrendo em conseqüência da explosão da Bomba Atômica. Então formaram um clube e começaram a pedir dinheiro para um monumento.
Estudantes de mais de 3.000 escolas no Japão e de 9 outros países contribuíram, e em 5 de maio de 1958, o Monumento da Paz das Crianças foi inaugurado no parque da Paz de Hiroshima.
Todos os anos no Dia da Paz (06/08) pessoas do mundo inteiro enviam Tsurus de papel para o Parque.

WASHI
O papel foi inventado na China, há 2.200 anos, com a finalidade de registrar as letras. De lá, através do caminho da seda, propagou-se às sociedades Islâmicas e daí se difundiu pela Europa. No Japão, o papel foi introduzido juntamente com o budismo, também a partir da China.O método chinês de confecção de papel era artesanal e utilizava como matéria-prima, inicialmente, trapos de linho, posteriormente, palhas de arroz e bambu. No Japão, a escassez de trapos de linho levou ao desenvolvimento de matérias-primas a partir de vegetais peculiares ao país, como kozo, gampi e mitsumata. Como resultado, tivemos o washi, um tradicional papel tipicamente japonês. O Washi é produzido no Japão desde a antigüidade, com uma tradição que remonta há 1.400 anos. Apesar de ser produzido artesanalmente, o método de confecção, os equipamentos necessários e a matéria-prima são completamente diferentes dos utilizados no resto do mundo. As fibras de kozo são mais longas e resistentes, características transferidas ao washi, que também é bonito, macio e de boa textura.

No período Heian do Japão, há cerca de 1.000 anos, uma dama da Corte Imperial, utilizando o washi escreveu o Genji Monogatari, que é considerado o primeiro romance do mundo. O volume original encontra-se, transcorridos 1.000 anos, em perfeito estado e é conservado como autêntica relíquia nacional. Já os papéis ocidentais não apresentam a mesma resistência à ação do tempo. Papéis impressos há apenas 100 anos, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, têm sérios problemas de preservação e muitos estão sendo restaurados com o auxílio do washi. O papel-moeda japonês utilizado na cédula de 10.000 ienes é confeccionado a partir da matéria-prima mitsumata e é reconhecido internacionalmente como sendo da mais fina qualidade. O washi também é empregado na pintura e gravura japonesas, na fabricação de bonecas, nos recortes, nas colagens, nas luminárias e na construção.Não há como negar a qualidade intrínseca do washi em relação ao papel ocidental. Tanto que até hoje uma enorme variedade de washi continua sendo produzida para fins artesanais e há quem afirme que a beleza do washi é a própria "arte do papel".

 

 

 

 

 

 

 


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