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Ikebana (arranjo floral) é considerado como a arquitetura das
flores. Uma arquitetura harmoniosa, com ritmo, equilíbrio e
balanço, coerente com o ambiente em que está exposto. Coube
a Sen Rikyu (1522-1591), monge zen-budista, conselheiro predileto
do shogun Hideyoshi Toyotomi, criar um novo conceito de estética:
o gosto pelo simples, despojado e essencial. Ao mesmo tempo
em que lança as bases definitivas do Sadô (Caminho do Chá),
ele também dá o refinamento ao arranjo de flores, o Ikebana.
O Ikebana nasceu do ritual de oferecer flores denominado tatehana.
Na antigüidade, acreditava-se que para invocar os deuses era
necessário determinar um local para recebê-los. Daí o ritual
de colocar uma flor ou árvore disposta, preferencialmente, de
forma perpendicular à sua base. No entanto, muitos estudiosos
sustentam que a origem estaria ligada ao kuge, o ato de colocar
flores no altar de Buda. Somente no século XIV é que o kuge
passou a ser chamado de tatehana, e, de cunho apenas religioso,
passa também a ter cunho estético. Começa a aparecer a expressão
"fixar a flor", dando início ao estabelecimento de limites na
concepção livre de se colocar a flor. É a partir daí que se
desenvolvem as técnicas para os arranjos florais. O estilo Rikka
originou-se do tatehana (colocar flor em pé), arranjo floral
destinado aos altares dos deuses e de Buda. O tatehana era simétrico,
elaborado com espírito de devoção e sempre tendo em vista os
deuses e antepassados. Gradativamente foi penetrando na vida
dos nobres, e assim, sua forma foi passando por adaptações.
No período Muromachi (1338/1573), eram promovidas reuniões para
prática do rikka que, acredita-se, deram origem às exposições
de ikebana. O rikka, de acordo com a tradição de Ikebana, é
fincado em posição vertical; os galhos saem do vaso como suporte
para recriar o conjunto da paisagem. No início, tinha forma
livre e se utilizava de elementos em sua condição natural. Depois
passaram a determinar formas rigidamente estabelecidas e complexas.
Modernamente redescobriram-se as possibilidades criativas desse
estilo.
O rikka é o fundamento do Ikebana, e foi o primeiro estilo a
ser consolidado como tal. Dele se originou o Shoka e, a partir
de seus três elementos (shin, soe, tai), foram criadas as bases
do Nagueire e do Moribana. A partir do século XVII, foram dados
nomes específicos para cada estilo de arranjo: moribana, nagueire,
shoka, jiyuka (estilo livre), guendai-baná (arranjo moderno),
zen-eibaná (arranjo de vanguarda), entre outros. No estilo Moribana
(literalmente, flores empilhadas), arranjam-se as flores e galhos
como se estivesse empilhando-os. Baseado na estética natural
das plantas, este estilo busca expressar a natureza de modo
realista, descritivo.
Tanto
neste estilo como no Shoka, as formas básicas são determinadas
por galhos com funções pré estabelecidas. São três: Shin,
Soe e Tai, que formam um triângulo.
Shin é o galho principal e determina a forma geral do arranjo.
Soe tem a função de apoiar o Shin.
O Tai, numa função de complemento, estabelece a harmonia e equilíbrio
entre Shin e Soe. O Shoka, com suas formas básicas e determinadas,
é a estilização das plantas, da maneira como estas se apresentam
na natureza, valorizando o vigor e a versatilidade das plantas.
Com os galhos Shin (representativo de homem), Soe (céu) e Tai
(terra), o arranjo quase sempre estabelece uma forma de meia-lua.
No Nagueire, a forma básica é caracterizada pela inclinação
com galhos e flores arranjados em vasos fundos, jarras ou potes
alongados. Enquanto no Moribana os galhos possuem funções preestabelecidas,
no Nagueire, seu papel é o de proporcionar harmonia entre as
plantas e o vaso.
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