Em geral, o artesanato no Japão engloba duas especialidades
- a arte folclórica definida como minguei e
- o artesanato ligado às artes e ofícios chamado de koguei.
Koguei, literalmente significa "a arte industrial", (artesão é considerado um operário) e está relacionada à tradicional técnica japonesa em que o artesão cria os objetos do cotidiano objetivando a beleza e a praticidade.
A palavra ko se refere ao termo "takumi" que quer dizer técnica, habilidade. Já a palavra guei refere-se à estética, ou seja, produzir um objeto de arte (que pode ser até através de máquinas) exclusivo, ou seja, diferente daquele fabricado em grande escala.
Ressalta-se que na arte Koguei além da técnica, busca-se o aperfeiçoamento espiritual através da atividade artística.

ARTESANATO DE METAL (KONKO)
Depois de prensar, fundir ou talhar uma chapa de metal para moldar determinado objeto, o artesão ornamenta a peça empregando o processo de anonização, oxidação, niquelação e incrustração de outros metais como cobre, ouro e prata. Na época dos samurais essa arte foi empregada para decorar capacetes e espadas.

BATIK (ROKETSUZOME)
Método de tingimento de tecidos ou couro. As raízes do batik são muito antigas não se sabe exatamente quando e onde começaram a ser aplicadas cera, parafina, pasta vegetal e até lama em tecidos para evitar a penetração de corantes em áreas selecionadas. Sabe-se que existiu em Java, China, Japão, Índia, Tailândia, Turquestão Oriental, na Europa, na África, entre outros. No Japão, ao longo do tempo, o batik adquiriu o nome de "roketsu zome"(cera-vedar-tingir). Os primeiros trabalhos empregando essa técnica datam do século VIII, período Nara, onde notamos forte influência hindu mas que chegou através da China. Roketsuzome significa tingimento através da vedação por cera. Usa-se parafina ou similares para isolar determinadas áreas do tecido ou couro que depois são tingidas por imersão ou pintadas com pincel. Utiliza-se pincel ou tjanting (aparelho de origem javanesa apropriado para execução de linhas finas) para a aplicação da cera quente. Após retirar a cera, o tecido passa por um processo de fixação, através da vaporização. Uma das características do batik é o efeito craquelée, resultante da penetração das anilinas em rachaduras produzidas pela quebra da cera aplicada em camadas.Nas exposições de artesanato no Japão, essa modalidade também inclui a tecelagem.

BONECAS (NINGYO)
Haniwa são estatuetas de barro encontradas em tumbas proto-históricas japonesas. São as primeiras referências aos bonecos no Japão.Os bonecos não são utilizados somente como brinquedos infantis.
No período Heian (794-1185), foram empregados para afastar demônios e feitiços.
Eles podem ser vistos no Bunraku, teatro de marionetes, cuja técnica de manipulação é uma das mais tradicionais e apuradas.
No dia 3 de março, Dia das Meninas, as bonecas Hina são expostas na sala de visita.
No dia 5 de maio, Dia dos Meninos, bonecos guerreiros ornamentam as casas como símbolo de força e bravura. Também, no Japão, há tipos específicos de bonecos de determinadas regiões. Em Fukuoka (Kyushu), há as bonecas Hakata, moldadas em argila e que se caracterizam pelos detalhes e cores usadas. Há também as bonecas feitas de madeira, Kokeshi, que tem torso cilíndrico decorado com pinturas e a cabeça redonda com feições infantis. Principalmente as localidades da região Nordeste possuem seu Kokeshi característico.
As bonecas Gosho são tradicionais de Kyoto e originalmente eram feitas como presente que iriam decorar o Palácio Imperial. São figuras de bebês roliços, pele muito clara e cabeça grande.
Outra boneca típica da região são as Kyoo, famosas por seus trajes suntuosos.
Também em Kyoto há as bonecas Saga que são muito coloridas. Após a Segunda Guerra, calcada na tradição, houve grande desenvolvimento do conceito de boneca. Deixaram o caráter exclusivo como objeto de enfeite ou caráter. Pode-se falar do surgimento da arte-boneca: as bonecas também se tornaram meio de expressão do próprio sentimento do artesão. Esse conceito tem influenciado a arte da boneca no mundo inteiro.

CHARÃO (URUSHI)
Escavações no Japão revelam que objetos laqueados utilizando a arte de urushi (charão) datam do período Jomon (1500 a 1000 a.C.).
Originalmente o charão foi empregado como resina impermeabilizante e muito resistente.
Com o decorrer dos séculos foram sendo incorporadas outras técnicas de decoração. São utilizadas em móveis, imagens budistas, construção, caixas e utensílios domésticos. O urushi é uma resina vegetal retirada de uma árvore da família da aroeira. Depois de refinada são misturados à resina os pigmentos para obter a cor desejada. Qualquer material pode ser laqueado (madeira, papel, tecido, bambu, etc.) e existem várias técnicas de produzir desenhos sobre os objetos laqueados (aplicações de ouro e prata em pó, de pigmentos coloridos, de madrepérolas ou conchas). No Brasil a matéria-prima do charão é importada.

ESMALTE (SHIPPÔ)
Trata-se da arte de esmaltar uma base de metal, cobre ou prata. Introduzido da China no século XVI, o Shitiphô que passou a ser chamado de Shippô, significa literalmente "sete pedras"- ouro, prata, coral, ágata, esmeralda, cristal e pérola. Ou seja, esmaltar vasos, pratos ou outros objetos produzindo efeitos em sua superfície semelhantes a pedra preciosa.

 

 

 

 

 

 

 


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