ÊXODO E ADAPTAÇÃO
Os imigrantes japoneses, à semelhança dos imigrantes europeus, não se fixavam na lavoura cafeeira como era esperado. Logo nos primeiros meses, começaram a deixar a lavoura em direção à capital, em busca de oportunidades melhores. A fuga noturna, muitas vezes, era a única alternativa para se verem livres de extorsões. Algumas famílias foram expulsas das fazendas após terem se manifestado por melhores condições. Outro fator apontado como uma das causas do abandono prematuro das lavouras é o número de pessoas não agricultores ser maior que o limite previsto no contrato (5% do total de imigrantes). Quando colocados na lavoura, muitos não se adaptaram aos serviços e foram forçados a confessar suas verdadeiras profissões. A composição de famílias como recurso para preencher a condição de três enxadadas por família, também provocou a mobilidade do imigrante.
Com o passar dos anos, os imigrantes foram percebendo que se não se fixassem mais nas fazendas, seria impossível o enriquecimento em dois ou três anos. A adaptação do asiático era prejudicada pelo intuito de permanecer por um tempo X e retornar à terra natal. Gradualmente, passaram a arrendar terras, formar cafezais, plantar arroz, feijão, verduras e cereais. Na comercialização de seus produtos conseguiam preços compensadores. De acordo com suas habilidades, alguns passaram a exercer profissões liberais ou se engajaram na indústria e comércio ou mesmo como empregados domésticos. A adaptação foi se dando aos poucos. A dureza da vida nas fazendas não se limitava ao trabalho penoso, mas principalmente a ouvir os berros do fiscal, não entender a língua, não gostar das comidas.
Acusava-os de serem avessos à assimilação. Todavia, não terá havido imigrante que tivesse abandonado os seus costumes mais do que o japonês.
Desde o dia da chegada, teve que morar numa casa sem tatami, tirar o quimono, jogar fora a tigela e o hashi, beber café ao invés de chá.
Com o decorrer de cinco, dez anos, os imigrantes foram se acostumando com a vida no Brasil, transformando-se pouco a pouco, sem o saber, acompanhando o crescimento de seus filhos, em gente brasileira. Mas isto não quer dizer que tivéssemos incorporado o modus vivendi dos caipiras e caboclos, mas sim, se acostumando, com o passar dos anos, mas à custa de amarguras e sofrimentos desconhecidos dos caipiras e caboclos.
Os imigrantes, porém que passavam das fazendas para as colônias de sitiantes, não só haviam perdido nas fazendas os hábitos japoneses, mas não haviam conseguido ainda adotar firmemente a vida brasileira.

 

 

 

 

 

 

 


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