| OS
PRIMEIROS EMBAIXADORES DO JAPÃO
Em
1582 havia três daimios cristãos que, naturalmente, enviavam
os filhos, netos e outros meninos da sua casa aos colégios jesuítas
para aí serem educados. Eles aprendiam português, latim, catecismo,
mas sem nunca infringir as regras do convívio próprias do Japão,
como por exemplo saudar os mais velhos com vénias profundas,
esconder as emoções, falar baixinho.
Isto porque os padres jesuítas eram muito cuidadosos e procuravam
transmitir a sua fé sem perturbar os costumes de cada povo.
Quando ficou decidido que quatro desses rapazes viajariam até
Portugal com o seu mestre é provável que a idéia lhes
sorrisse!
Chamavam-se Miguel Chijiwa, Mansaio Ito, Martinho Hara, Julião
Nakaura.
A viagem durou oito longos anos e incluíu uma estadia na Índia,
uma ida a Roma para verem o Papa, outra a Madrid para conhecerem
pessoalmente Filipe II que nessa época era também rei de Portugal.
Em Lisboa estiveram apenas vinte e seis dias. Subiram ao castelo
de S. Jorge, percorram ruas e vielas sempre com o mestre e decerto
rodeados por uma multidão alegre e buliçosa que os queria ver
.
Sabe-se que foram ao palácio de Sintra, a Évora e à casa dos
Duques de Bragança em Vila Viçosa.
Não se sabe mas é de supor que no regresso, ao recordarem peripécias
vividas em conjunto no meio de um povo tão barulhento , já se
atravessem a dar gargalhadas sonoras e a chamarem uns pelos
outros gritando no convés "Ó Miguel, Miguel! Anda cá!"
À chegada ao Japão é que tudo se complicou.
Tinha havido mudanças políticas e o novo governante já não via
com bons olhos a religião cristã. Valeu-lhes a inteligência
do Padre Alexandre Valignano, visitador jesuíta que os acompanhava.
Absolutamente decidido a devolver os meninos, agora já homens,
às suas famílias, pediu para que o deixassem desembarcar não
como missionário, mas como embaixador do Vice-Rei português
que estava na Índia. O ditador japonês concordou e recebeu-os
aos cinco. Não ligou importância aos presentes que lhe trouxeram,
embora fossem magníficos cavalos persas , arreios de veludo
e prata, quadros, mapas, um globo celeste, uma imprensa e espingardas
mais modernas e eficazes do que as anteriores.
Mas adorou ouvir a música dos instrumentos ocidentais que os
jovens tinham aprendido. Arrebatado pelos sons maviosos da harpa,
do cravo, do alaúde, não pensou mais nas diferenças de fé e
deixou os cristãos em paz por mais algum tempo. |
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