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O primeiro período
Abrange desde o início da imigração, em 1908, até a década de 20, quando a vida e a ação dos imigrantes era regulada pela estratégia de trabalho temporário de curta duração e pela transição desta para a estratégia de trabalho temporário de longa duração, visto que na década de 10, os imigrantes iniciaram a formação de colônias. Nesse período, a vida religiosa dos imigrantes não pode ser considerada ativa.
Os motivos: Os imigrantes desse período tinham dificuldades em conseguir o sustento próprio e dos seus e ressarcir as despesas de viagem, não havendo possibilidade de realizar atividades religiosas e atender aos gastos de sustento do pregador. Além dessa dificuldade econômica por parte dos imigrantes, também para as organizações religiosas do Japão era economicamente difícil a prática do trabalho de difusão das seitas entre os imigrantes disseminados em áreas tão extensas.
Na tradicional instituição da família, o culto ao antepassado era função atribuída ao sucessor, em regra o primogênito, e o grosso dos imigrantes japoneses era constituído de segundo ou terceiro filho, não sucessor, que saía da sua família originária, não possuindo antepassado para prestar culto. De certo modo, seria ele o iniciador de uma família e, portanto, futuramente iria ser ele próprio objeto de culto. No princípio, embora houvesse garantias legais à liberdade de culto no Brasil, a propagação das religiões nipônicas foi inibida pelas autoridades japonesas pretendendo evitar com isso que o imigrante fosse vítima de repúdio e hostilidade e pelo maio brasileiro sob a hegemonia católica. Portanto, nesse período, os (...) traços religiosos que poderíamos encontrar na vida dos primeiros imigrantes eram os verificados durante as cerimônias fúnebres e as leituras de rezas budistas ou xintoístas, diante de oratórios, nas casas em que tinham ocorrido casos de falecimento.
O funeral e culto ao morto (...) não passavam de improvisações. Assim, quando havia morto, um vizinho qualquer que soubesse algum rudimento de reza era solicitado, o qual atendia prontamente para fazer a recomendação da alma do falecido, e nos aniversários da morte também executava as rezas amadoras.

O segundo período
Abrange a década de 20 a de 30. Foi a época em que os imigrantes japoneses passaram de colonos para agricultores independentes ou arrendatários, compreendendo o processo de transição para a estratégia de trabalho temporário de longa duração. Foram sendo formadas colônias. A partir de 1925, o governo japonês passou a subsidiar a vinda de japoneses para o Brasil e a imigração se intensificou. Foi a época áurea da imigração japonesa no Brasil. Com estabilização da produção e com o avanço da organização das colônias, começaram surgir as atividades de natureza religiosa.
A Colônia Hirano se localizava na região noroeste do Estado de São Paulo e nela foi organizada, a partir de 1930, reunião de palestra budista.
Em 1934 foi construída uma casa-oratório com área construída de 5 x 7 m. O sacerdote era Eizen Fukunami, nascido em Hiroshima, com sua saída foi substituído por Sukeichi (Kushin) Ito. Fukunami e Ito iam às colônias com objetivo de pregação. Nos 15 anos de vida nas colônias, a necessidade formal dos serviços religiosos para funerais e culto aos mortos, passa à emergência das aspirações religiosas dos imigrantes. Nesse período, os xintoístas instituíram o Templo do Bugre no distrito de Bonsucesso, o núcleo colonial de Uetsuka em Promissão e projetaram a construção do Templo de Suwa na Colônia Aliança. Este último não passou de intenção.
Em 1938 foi construído na Colônia de Bastos o templo de Sanso. As religiões japonesas, nesse período, não realizaram trabalhos ativos de pregação. Entretanto, algumas seitas iniciaram de forma não organizada, pregações ou trabalhos de divulgação através de fiéis. Por exemplo: a Honmon-Butsuryu-Kô (atual Butsuryushu) iniciou sua pregação através de Tomojiro Iabaragi, imigrante vindo no Kasato Maru, em 1908.
Yonei Matsubara iniciou, em 1932, na Colônia União, em Lins, a divulgação da seita. Quando soube de Ibaragi, em 1936, construiu em sua propriedade um templo (Templo-sede da Butsuryu-Kô do Brasil) e solicitou a vinda de Ibaragi. A Honpa Honganji enviou, da sede, Masumi Ikoma, em 1928, que iniciou seus trabalhos na Colônia de Iguape. Outras seitas de formação mais recente se instalaram no Brasil nessa época.
São elas: a Tenry-Kyô, em 1929, na Colônia Tietê, na região oeste do Estado de São Paulo;
a Seichô-no-iê já tinha, em 1930, publicações vindas do Japão circulando nas colônias no interior do Estado de São Paulo.
Em 1934, Daijiro Matsuda, se restabeleceu de uma doença lendo Seimei-no-jissô (Verdade da Vida) e iniciou os trabalhos de pregação da Seichô-no-iê no Brasil.
Em relação ao catolicismo, os japoneses adotaram uma postura de respeito e comedimento. Em contraposição, as igrejas cristãs, católicas e protestantes, atuaram intensamente nas colônias japonesas. Os católicos tinham padres não japoneses, e os protestantes, missionários japoneses. A conversão dos colonos ao catolicismo era, muitas vezes, apenas uma forma de adaptação ao ambiente brasileiro.

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