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O
terceiro período
É marcado pela implantação da política de nacionalização
do governo Vargas, fortemente impulsionada sob o Estado Novo.
A inassimilabilidade dos japoneses foi criticada, exacerbando
a opinião antinipônica e receio ao perigo amarelo. Com a Guerra
do Pacífico em dezembro de 1941, em janeiro de 1942, os japoneses
passaram à condição de originários de país inimigo, sofrendo
restrições nas suas liberdades. Não podiam viajar, usar a língua
de origem em logradouros públicos, nem fazer reuniões. Os templos
foram fechados e as reuniões proibidas. Durante a guerra, os
japoneses foram presos como suspeitos de espionagem e recolhidos
à antiga Hospedaria dos Imigrantes.
Em 1942, foi fundada a Assistência aos Japoneses pelos Católicos
de São Paulo para dar assistência a essas pessoas. Os anos compreendidos
entre a década de 30 e 50 é chamado de hibernação das religiões
e a década de 50, de ressurreição religiosa entre japoneses
e seus descendentes. Após a II Guerra Mundial, o Brasil foi
beneficiado pelo aumento dos preços do café e de quase todos
os produtos agrícolas. Os imigrantes, cuja maioria se dedicava
à agricultura, foram altamente favorecidos e fortalecidos economicamente.
Alguns passaram de arrendatários a agricultores independentes;
outros foram para as cidades regionais ou para São Paulo. Visando
a educação dos filhos, a migração para São Paulo tornou-se intensa
a partir de 50.
A ascensão social colocou a grande maioria dos japoneses na
classe média. Alguns se tornaram trabalhadores assalariados.
Os descendentes ingressavam nas universidades objetivando a
ascensão econômica e social.
A consciência de regresso ao Japão foi se enfraquecendo. O japonês
que se decidiu pela permanência definitiva passa a identificar-se
como o antepassado da família, como o antepassado que deverá
ser cultuado na família, fundada por ele mesmo. Ressuscitam,
assim, as religiões japonesas, a partir da segunda metade dos
anos 50.
O
quarto período
Começa nos anos 50, quando é ativada a difusão das
religiões japonesas. A igreja católica tomou uma posição crítica
em relação ao budismo. Um católico se manifestou da seguinte
maneira:
No Brasil, país democrático, a liberdade de religião é reconhecida
por lei, mas o sentimento nacional repele o avanço de religiões
estranhas. Não respeitar esse sentimento nacional, e alegando
a liberdade assegurada por lei para trazer as religiões estranhas
e ir às vias públicas para fazerem sua propaganda ostensiva,
é desconsiderar o sentimento nacional dos brasileiros, e quando
forçam os nisseis, já batizados, a se converterem, se torna
um desafio à igreja católica. Porém, é preciso lembrar que os
pais seguiam o budismo mas batizavam o filho para que ele não
fosse colocado em situação de inferioridade na escola; ou pediam
a um brasileiro que se tornasse padrinho de seu filho para beneficiar
suas atividades econômicas. A conversão, ou simplesmente batismo,
não resultava propriamente de convicção religiosa.
É verdade, no entanto, que à medida que avançam as gerações,
as mudanças para o cristianismo se acentuam.
2
- RELIGIÕES JAPONESAS HOJE
O Brasil é o país com maior expansão das religiões japonesas
fora do Japão. Atualmente, estima-se que haja de 50 a 60 grupos
distribuídos entre xintoístas, budistas (tradicionais), Novas
Religiões e outros. Existem, também, além das religiões japonesas,
religiões cristãs voltadas especificamente para a comunidade
nipo-brasileira. As Novas Religiões são os movimentos religiosos
japoneses surgidos a partir do início do século passado até
os dias de hoje. Podem ser xintoístas, budistas ou pertencer
a outras categorias. As religiões que mais crescem no Brasil
pertencem à categoria das chamadas Novas Religiões. São elas:
Seichô-no-iê, Sôka Gakkai, Igreja Messiânica Mundial, Perfect
Liberty, Sûkyô Mahikari e Nishi Honganji.
É interessante destacar que essas religiões estão se espalhando
principalmente entre os não descendentes japoneses e que estão
cada vez mais adaptadas aos costumes brasileiros.
A Perfect Liberty em seu templo em Brasília, por exemplo, não
conta com a participação ativa de descendentes japoneses; as
orações são realizadas em português e em relação à cultura japonesa,
apenas promovem cursos de Ikebana esporadicamente; alguns de
seus membros conhecem a sede da seita no Japão.
A Igreja Messiânica Mundial de Brasília foi fundada por um nisei.
Em Brasília, conta com aproximadamente 12.000 seguidores, sendo
que apenas 2% deles têm ascendência japonesa; as orações são
em japonês e anualmente são organizadas peregrinações ao Solo
Sagrado do Japão; a dieta alimentar de seus fiéis é naturalista,
com métodos desenvolvidos no Japão. A igreja oferece cursos
de Ikebana (Sangetsu) e de iniciação à Cerimônia do Chá (Chanoyu)
com frequência.
Apesar da Sûkyô Mahikari de Brasília ser dirigida por um issei
e em sua coordenação estar presentes alguns descendentes japoneses,
os seguidores, em sua grande maioria, são não descendentes.
Algumas viagens ao Japão já foram realizadas pelos seus discípulos.
A comida japonesa é bem apreciada.
A Nishi Honganji de Brasília apresenta características mais
tradicionais, com prestação de serviços fúnebres ao nipônicos
e costumes orientais. Anualmente realiza uma quermesse, evento
bastante prestigiado pela população nipônica e não nipônica.
Em seus cultos a presença não nipônica é muito grande, mas na
direção dos eventos da igreja ainda se nota a predominância
dos japoneses e seus descendentes. As pregações são realizadas
em português, mas as orações são todas na língua japonesa. É
importante lembrar que, dentre seus membros, se encontram imigrantes
que vieram para o Brasil antes da II Guerra Mundial.
Existe também uma instituição denominada Igreja Evangélica Aliança
de Brasília, que tem como alvo a população nipo-brasiliense.
Suas cerimônias são realizadas em japonês com tradução simultânea
para o português. Metade de seus fiéis são de descendência japonesa.
Alguns aspectos culturais japoneses são preservados e atividades
como dança, culinária e ensino da língua japonesa são desenvolvidas
entre seus seguidores.
As “Novas Religiões” (não inclui as cristãs), têm em comum as
doutrinas de ênfase na força do pensamento positivo e na auto-confiança;
milagres e curas com base na fé e/ou no nível de dedicação às
diretivas do grupo; estímulo às reuniões de pequenos grupos;
uma ética ou orientações para o cotidiano e de culto aos antepassados.
Essas doutrinas têm atraído cada vez mais discípulos.
O Xintoísmo e o Budismo tradicional basicamente permaneceram
entre os japoneses e seus descendentes (colônia nikkei) e, por
esse motivo, tendem a desaparecer.
“O velho Budismo das celebrações fúnebres em japonês (...) tende
a desaparecer, uma vez que a geração dos velhos imigrantes nipônicos
está se extinguindo e há muito que já cessou o fluxo migratório
dos japoneses para o Brasil”.
O professor Ronan Pereira, da Universidade de Brasília, tece
a seguinte idéia em seu estudo:
“As novas religiões mantêm uma taxa de crescimento maior que
as tradicionais não somente por sua origem dinâmica e sincrética,
como também por usarem com mais habilidade os meios de comunicação
de massa e técnicas de marketing e propaganda; estabelecem suas
próprias instituições educacionais, prometem milagres e toda
sorte de benefícios materiais e espirituais ainda nesta vida,
e apresentam um proselitismo mais ativo”.
Os imigrantes japoneses, no decorrer dos anos, têm influenciado
e enriquecido a cultura brasileira em vários setores. A religiosidade
é um grande exemplo disso. É verdade que os descendentes nipônicos
estão, em comparação com os não descendentes, menos ligados
à essa linha de religiosidade. E é verdade também que enquanto
algumas religiões procuram manter e divulgar tradições japonesas,
outras têm apenas o fundamento religioso como herança. Mas o
crescimento e expansão dessas religiões é surpreendente. Algumas
seguem a linha de crescimento de massa, procurando atingir um
grande número de pessoas. Outras, mais tradicionais, menos proselitistas,
seguem a linha familiar. |
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