| EDUCAÇÃO
NO JAPÃO
O ser humano, ao nascer, traz consigo inteligências e potenciais
que o acompanharão na sua jornada pela vida.
Com o propósito de extrair este potencial e aperfeiçoar suas
habilidades inatas, o indivíduo entra em contato com o mundo
que o circunda, desvendando-o no inextinguível processo de desbravamento
de sua realidade.
A educação acontece como veículo, que possibilita à pessoa instrumentalizar-se
com ferramentas que irão auxiliar-lhe na busca de sua identidade
e na construção de sua história. É, também, o meio pelo qual
o indivíduo adquire condições para agir e transformar o contexto
em que vive e refletir sobre a sua existência.
ANTECEDENTES
HISTÓRICOS
Com a finalidade de proporcionar
uma compreensão mais apurada do atual sistema de ensino do Japão,
é necessário vislumbrar um panorama histórico com alguns acontecimentos
que permearam a evolução educacional neste país. Para tanto,
serão apresentados, a seguir, fatos relevantes dentro de tal
processo.
I.
A Educação no Japão Antigo
O aparecimento da escrita no
Japão data do século VI, ou antes deste período, proveniente
do sistema chinês e conduzida ao arquipélago pelos coreanos.
Vale notar que o domínio da escrita, com a introdução do kanji,
contribui de forma cabal para o desenvolvimento da cultura do
povo japonês. Assim, certas práticas culturais - rudimentos
de medicina, os empregos do calendário e da astronomia e a filosofia
do confucionismo - são assimiladas pelo povo japonês como decorrência
do uso da escrita chinesa.
Em 701, as primeiras escolas oficiais para treinar funcionários
do governo são estabelecidas de acordo com o código Taihô. Segundo
este, dois tipos de escolas destinam-se à nobreza:
as daigakuryo, que educam as crianças da nobreza na capital,
e as kokugaku, que educam os filhos dos nobres nas províncias.
No período Nara, o sistema de ensino limita-se à escola de estudos
superiores na Capital e colégios nas províncias. Todos esses
estabelecimentos de ensino se destinam a ensinar a doutrina
de Confúcio, com o objetivo precípuo de formar funcionários
de governo. São freqüentados por filhos de nobres na metrópole
e de governadores provinciais e outros elementos de projeção
nos colégios regionais.
Observa-se um intenso processo de nacionalização cultural durante
o período Heian (794-1185), cujo fator preponderante é a criação
de uma escrita essencialmente japonesa, a partir do uso dos
alfabetos fonéticos (kana). Um outro aspecto que se pode verificar
no campo da educação é o estudo do confucionismo como disciplina
mais exigida do ensino superior. Em ambos os períodos citados,
a aristocracia tem como base educacional o pensamento confucionista
e budista. Pode-se perceber, portanto, a importância da religião
no Japão antigo, haja vista serem os monges budistas1
os primeiros professores, e os templos se funcionarem como centros
de aprendizagem.
II.
A Educação no Japão Feudal
O poder político passa a circular
nas esferas das classes samuraicas do interior a partir do estabelecimento
do xogunato Kamakura, em 1192, e o ensino estende-se à classe
militar. Concomitantemente à popularização do budismo, os camponeses
passam a ter amplo acesso à educação.
A universidade da capital (daigaku) e os colégios das províncias
(kokugaku), criadas pelo regime Ritsuryô, perdem sua eficiência
e entram em decadência no período Kamakura.
Os estudos, transmitidos de geração a geração, nas famílias
nobres, não passam, agora, de simples ocupação familiar, sem
maior interesse por parte de quem a exerce.
Por outro lado, os filhos de samurais passam sua infância nos
templos, estudando com os bonzos.
Inicia-se em 1338, o período Muromachi, marcado por intensa
religiosidade. A educação elementar das crianças passa a ser
promovida por templos budistas e santuários xintoístas que desempenham
importante função social. Realizam-se, nesta época, cursos da
doutrina de Confúcio e estudos de clássicos nipônicos, bem como
a edição de obras importantes e estudos de obras chinesas. A
inserção do cristianismo no Japão se dá em 1549
2, momento de decadência do budismo e de grande
ebulição interna no país. Vários daimios (senhores feudais)
convertem-se à religião ocidental e os missionários jesuítas
edificam colégios onde ensinam português, latim e o Evangelho.
Missões cristãs enviadas ao Japão no século XVI fundam tanto
escolas de educação geral quanto vocacional. ____________________________
1
- O budismo foi inserido no Japão por volta de 538.
2 - O jesuíta português Francisco
Xavier introduziu o cristianismo no Japão.
SISTEMA
DE ENSINO NO JAPÃO
No Japão a educação é compulsória
do primário (Shogakko) ao secundário inferior (Chugakko). Ao
completar 6 anos a criança ingressa no Shogakko, o ano letivo
inicia-se em abril, cumprido 6 anos deste, a criança passará
para o Chugakko com duração de 3 anos. As escolas públicas são
gratuitas assim como material didático que é fornecido sem nenhuma
taxa, as despesas recaem sobre merenda escolar quando é fornecida,
terminado esse período o aluno ingressa no Secundário Superior
(koko), não é obrigatório, porém 95 % dos alunos seguem o estudos,
além do secundário inferior. A legislação japonesa prescreve
que os pais tem obrigação de matricular o filho na escola ao
compeltar 6 anos de idade, aqueles que não o fizerem serão procurados
pelos agentes da prefeitura para esclarecimentos da ausência
do filho na escola.
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