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JAPÃO COMO PRESTATÁRIO
Há muito tempo, o Japão preferia a prática de aperfeiçoar as
coisas criadas por outros do que criar suas próprias.
No entanto essa atitude causava aos japoneses um incômodo complexo
de inferioridade. Porém este sentimento de inferioridade teve
um importante papel no processo da modernização japonesa. De
fato, eles sentiram uma necessidade extrema de superar este
complexo e provar que eram capazes. Daí o início de uma grande
motivação, sem medir esforços, com o intuito de superar a tudo
e a todos. O mesmo já não acontecera com a China, em seus primeiros
contatos com a civilização ocidental.
O
SISTEMA FAMILIAR JAPONÊS
O sistema familiar do Japão foi tradicionalmente uma instituição
bastante flexível que pode ser "manipulada" para se ajustar
as exigências de uma situação, em contraste com a China tradicional
onde o sistema patriarcal era uma estrutura relativamente rígida.
As "adoções", que são frequentes no Japão, são casos de grande
relevância nos quais os adotados podem ser homens ou mulheres,
crianças ou adultos, indivíduos do mesmo sangue ou não. Um dos
pontos mais importante no sistema familiar japonês foi a perpetuidade
dos negócios da família, a qual os propósitos familiares podem
ser manipulados. A prática da adoção no Japão é adaptada para
recrutar as pessoas mais competentes. Ou seja, digamos que uma
família tenha três herdeiros, sendo um homem e duas mulheres.
Pela tradição japonesa, o filho (homem) deve ser o herdeiro
natural, independentemente de ser o mais velho ou não.
Mas, suponhamos que este filho não demonstre nenhum interesse
pelos negócios da família ou, talvez, seja considerado incompetente
pela mesma. Desta forma, já que nenhuma das filhas pode assumir
o controle dos negócios, o pai (chefe da família) pode "adotar"
um de seus genros para dar continuidade ao empreendimento familiar.
Na verdade, esta adoção difere-se um pouco das adoções realizadas
no ocidente. Neste caso, o que acontece é que ao invés da mulher
receber o nome do marido ao casar-se (geralmente a mulher perde
o seu sobrenome e ganha o sobrenome de seu esposo), o noivo
é quem recebe o sobrenome da esposa passando, assim, a fazer
legalmente parte de sua família. A economia de uma nação é construída
nas atividades econômicas de cada família que a compõe, e caso
cada família se preocupe com o sucesso econômico, o efeito cumulativo
para a nação inteira pode ser impressionante. Assim a rápida
modernização japonesa deveu-se, em parte, à adaptabilidade de
sua instituição familiar.
A
FILOSOFIA "ON"(ongaeshi - retribuição)
Um outro fator de grande importância para o rápido processo
de modernização do Japão foi a filosofia do "ongaeshi" que pode
ser entendido como algo que envolve gratidão e retribuição.
Ao contrário da maioria dos países ocidentais onde as pessoas
mudam constantemente de emprego, em busca de melhores oportunidades,
no Japão os funcionários dedicam-se praticamente a vida inteira
à mesma empresa. Os japoneses, em geral, ao terminarem seus
estudos (seja a nível secundário ou universitário) visitam várias
empresas e as analisam cuidadosamente de forma que possam fazer
a escolha certa. Eles sabem que a empresa que escolherem será
a que permanecerão até se aposentarem. Após a escolha, os patrões
entram em cena. A partir deste momento os patrões serão responsáveis
pelos seus novos funcionários, passando a provê-los com todo
tipo de assistência, incluindo a médica e moradia. Cria-se,
então, um certo sentimento de gratidão e retribuição. O funcionário,
sabendo que a melhor maneira de retribuir é dando o melhor de
si no trabalho, passa então a dedicar-se única e exclusivamente
a sua empresa. De certa forma, já que ele deve permanecer a
maior parte de sua vida na mesma empresa, ele sabe que se ela
progredir ele também será beneficiado. Talvez este seja um dos
grandes fatores do salto que o Japão deu se comparado ao resto
do mundo. |
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